Tudo termina. Sempre. A bolacha preferida termina, o esmalte preferido sai de linha, os amores acabam em dias normais. Os casamentos terminam muito antes da separação. Tudo chega ao fim. Sempre. Muitas vezes mais rápido do que esperamos. Mais dolorido do que imaginávamos. O fim sempre traz à tona perguntas que a gente não queria ouvir ou fazer.
Depois de um maremoto de sensações, você percebe que foi só um capítulo. Que o fim é mais uma página virada no seu livro de memórias. E que novas páginas serão escritas, desenhadas, manchadas com lágrimas e viradas. Tudo chega ao fim. O amor acaba.
Depois de meses de reclusão e autoterapia, você se dá conta que não adianta procurar os erros nas cenas gravadas em seu filme particular. Não há tempo para retroceder. Mas você aprende que novas cenas serão gravadas com a aprendizagem do que passou. O amor é como uma fotografia emoldurada: ela vai continuar no mesmo lugar, enquanto você não decidir trocar os personagens.
Entender que o amor acaba é mais fácil do que aceitar o fim dele. A gente sempre ama achando que vai ser feliz. E se entrega esperando ser feliz. Só que o final feliz não existe desde os tempos da Cinderela. E isso dói.
Não sinto falta do amor, mas da loucura. Sinto saudade dos caras que nunca tive, mas que amei com devoção. Sinto saudade das vontades insanas de buscar perigo e abrigo por algumas horas. Ser sensata demais me deixa chata demais. Me incomoda. Sinto falta de perder a cabeça e a lucidez. De chorar depois de fazer amor. De beijar olhando nos olhos. De me perder dentro da retina do outro. Sinto falta de ficar admirando o sono do outro e entrar em colapso sem saber se faço parte do seu sonho. Se sou motivo dos sorrisos bobos. Sinto falta de sair quinze minutos antes do trabalho e viajar pra ser a namorada da noite. Sinto falta de me sentir sexy, linda e até puta. Dona de uma liberdade sem tamanho. Sem medo de arriscar ser feliz. Sem medo do que acaba. Sinto falta de sentir sangue queimando por dentro. De me sentir viva.
Saber que o segundo passado não volta e que o dia termina nem sempre tem um gosto bom. Nem sempre o fim é calmo. Quase nunca é fácil. Alguém sempre parte e a verdade é que sempre dói, mesmo quando foi você quem escolheu seguir adiante.
Quando o amor acaba, a história perde o sentido. E você precisa encontrar novos pares, entrar em novas danças, começar a acreditar em tudo outra vez. Você precisa de coragem pra seguir adiante, porque se acomodou ao amor que sentia. Porque se acostumou com sorrisos, com palavras, com o corpo nu do outro colado no seu. E mesmo que você não sinta nada de bom e que as mágoas ainda machuquem, dá saudade das horas de bobeiras, das trapalhadas, de dormir de conchinha. Dá saudade dos momentos bons. Dos beijos calorosos, do sexo selvagem, do amor que não cabia no peito.
Depois da raiva, do ódio e do tédio, você aprende que é melhor guardar apenas o que ficou de bom, mesmo que isso seja pouca coisa perto do tempo que passaram juntos, do que viver de dores e faltas.
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