Não quero explicar porque acho que você não entenderia. Na verdade, acho que nem eu entendo direito. Ando meio sei lá. É, acho que sei lá seria a expressão certa. Sei lá se to bem. Sei lá o que é isso. Alegria não é porque não me sinto motivada a ponto de sorrir. Mas também não consigo chorar. Queria. Queria mesmo chorar pra ver se aliviava um pouco. Pra sentir o coração batendo forte, em paz. Mas não consigo. Faço cara de choro, faço força, faço beiço, e nada! Nenhuma lágrima escorre pelo rosto. Nenhuma lágrima me cansando a beleza.
Achei que fosse cansaço. Cansaço de rotina, de felicidade, de gente que não se decide se pula do muro ou não. Cansaço. Mas não sei o que é.
Às vezes eu tenho a sensação de que existe tanta vida pulsando nas minhas veias, tanta vontade de fazer as coisas, de mudar de rumo, de realizar os sonhos, que de repente tudo cessa e eu fico num esgotamento semelhante ao de um parto. Mas viver é um parto diário. E é como se eu estivesse nesse esgotamento de ideias, de criatividade, de domínio da minha vida. É como se eu estivesse só seguindo as regras, mesmo sem concordar. Acordando todo dia as 7h, trabalhando 8h por dia, almoçando nos mesmos horários, me incomodando com os mesmos problemas. A mesma coisa sem graça sempre.
Tenho passado mais tempo visitando os lugares escondidos do meu cérebro do que me preocupando com as relações externas. Ultimamente, um mundo inteiro vive dentro de mim. Mas não se preocupe em entender coisas que nem eu mesma entendo.
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