Não tem nada no mundo que eu odeie mais do que esperar. Tenho pavor de depender dos outros e alergia de estar condicionada (o famosinho “se”). Odeio esperar a família decidir jantar às 19h quando eu to com fome às 17h15min. Odeio esperar fulano se decidir se vai me dar entrevista na terça ou na quarta. Odeio. Odeio e ponto.
Tô sempre empolgada pra balada. Adoro noite, música, curtição. Confesso que já gostei mais de fumaça, suportei mais cheiro de cigarro e já fui mais chegada em bebidas. Mudei, mas continuo amando dançar. Mal sei de um show, festa ou evento legalzinho, convoco minha trupe pro programa. Odeio quando ouço: “se não chover, eu vou”. Tem coisa mais chata que condição pra sair? Tem coisa mais broxante que um SE? Ou então quando o namorado me olha na cara, vê o brilho dos meus olhos, louca pra sair e responde “vamos ver”. Como eu odeio esse tal de “vamos ver”. Eu já vi. E aí?
Mas não é só pra balada que essas frases condicionais me broxam. Basta eu estar animada pra um jantar em família, um encontro com as amigas. É estar com muita vontade de fazer alguma coisa que alguém me tira do sério. “Vamos ver se vamos viajar”. Ver o que? Se em uma semana vai conseguir ficar rico? Se vai esquentar pra usar biquíni? Se a cotação do dólar vai aumentar? Se em novembro não é melhor? Ou vai ou não vai. Sem essa de charminho.
Hoje por exemplo, to de mau humor. Acordei estressada, dormi menos que o necessário, já fiquei puta da cara porque as coisas nunca são como deveriam ser e ainda ouvi um “vou pensar” pra um convite que já completou três semana de aniversário. Tenho dó né? Depois a pessoa comete um homicídio e dizem que não tinha motivos. Enfrenta TPM, chefe chato, correria, eleições, passa a semana inteira sem respirar pra não gastar tempo pelas narinas e não tem motivos de ficar louca porque ouviu um “vamos ver”? Me poupem.Vamos ver se eu me recupero até à noite. Senão não saio de dentro do meu quarto.
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