domingo, 6 de novembro de 2011

Conversando com umbigo

Estive pensando em coisas que acontecem enquanto a gente dorme. Às vezes o mundo me parece tão desconexo, que eu me perco nas entrelinhas dos segundos imaginários.
Acho que as pessoas se condicionam demais a serem o que não são. Quando falo tudo o que penso, ficam me olhando com cara de espanto. “Tu é louca” é frase que escuto diariamente. E sabe que não dói?! Não dói porque a insensatez é que nos permite enxergar além do óbvio. A maioria das pessoas não enxerga.
Eu mando email quase que diariamente com comunicados dentro da empresa e as pessoas não lêem. Elas não têm capacidade para interpretar uma frase, que dirá o mundo. Talvez por isso os poetas sejam tão incompreendidos. Não que devam ser! Mas os poetas falam uma linguagem superior que apenas quem enxerga consegue traduzir. É como aquela velha brincadeira de criança, onde só “os inteligentes podem ver”. Lembra? Alguém dizia ao pegar uma folha em branco: “legal esse mapa!” E os outros, curiosos: “mas não tem nada, deixa eu ver”. Ao que o primeiro finalizava: “só os inteligentes podem ver”. E todo mundo caia na gargalhada.
Eu rio do mundo quando assisto televisão. É tanto coisa triste e mastigada que chega a dar náuseas. Que prazer pode sentir uma pessoa em receber todas as informações sem pensar? Eu me remexo no sofá, troco de canal e nada. Um programa é praticamente a cópia fiel do outro. E mais: existe coisa mais sem fundamento que novela? Claro que assisto. Um capítulo num ano inteiro. E geralmente quando pretendo passar um tempo a mais com a família.
Gosto de ler. Por mais mamão-com-açúcar que seja a história, sempre há alguma coisa a aprender. Mesmo que a lição seja para nunca mais pegar uma obra daquele autor. Mas sempre se tira algo.
Ultimamente estou lendo vários livros ao mesmo tempo: um de fragmentos (Ostra feliz não faz pérola – Rubem Alves), um de crônicas (A cantada infalível – David Coimbra), um romance (Porque ela pode – Bridie Clark) e também Casório, da Marian Keyes. Se me perco nas histórias? Não.
Quando penso no mundo e nos tempos modernos, sinto falta de gente inteligente. Não sou a supremacia do saber, mas gosto de conversar sobre tudo. E gosto de gente que sabe interpretar um email.

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